Portugal na Copa do Mundo 2026
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Audience Intelligence

Portugal na Copa do Mundo 2026: o que a audience intelligence revela sobre 389 mil torcedores ativos

Portugal na Copa do Mundo 2026: o que a audience intelligence revela sobre 389 mil torcedores ativos
AC
André CampinoHead of Marketing na Felton · 4 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

Entre 4 de junho e 20 de julho de 2026, 389 mil pessoas comentaram ativamente a campanha de Portugal na Copa do Mundo no Instagram, no X, no TikTok e no YouTube. Geraram US$ 196,5 milhões em True Audience Value (TAV), deixaram 671.340 comentários e expressaram 25+ emoções distintas, acompanhadas dia a dia ao longo de 47 dias. 76% eram homens, 53% Millennials e 63% estavam fora do mundo lusófono.

É assim que a audience intelligence se parece quando aplicada a um evento real. Quatro entidades (a seleção portuguesa, Cristiano Ronaldo, A Bola e RTP), quatro plataformas, um torneio. Os números abaixo vêm de um estudo da Felton Audiences coproduzido com a Nossa. O relatório completo está disponível para download gratuito.

O conjunto de dados de relance

O Instagram concentrou 89% de todo o valor econômico (US$ 175,6 milhões dos US$ 196,5 milhões), embora o X tenha produzido o maior volume (4.769 posts, 58% de todo o conteúdo) com apenas 5,9% do TAV. O estudo acompanhou 8.196 posts em 15 contas ativas ao longo de 47 dias, cobrindo quatro entidades do mesmo ecossistema: a seleção (Seleção/FPF), Cristiano Ronaldo, A Bola e RTP. O YouTube registrou a melhor qualidade de sentimento (74,5% positivo, CTS 7,23) sobre uma base pequena. O TikTok ficou no meio: 593 posts, US$ 8,9 milhões em TAV e o público mais jovem de todas as plataformas (Gen Z em 61,5% na conta da seleção). O sentimento geral do estudo ficou em 71,9% positivo, com um Community Trust Score (CTS) de 6,98 em 10. A plataforma onde o valor mora e a plataforma onde o volume mora são lugares diferentes.

Quatro entidades, quatro públicos

Não existe um único "público da Copa do Mundo". Existem quatro, cada um com perfil demográfico e emocional próprio.

A seleção atraiu o maior público ativo (259.811 autores) e o alcance mais global: Portugal responde por apenas 13,8% de quem comenta no Instagram, seguido de Índia (11,8%), Brasil (11,0%) e Irã (7,2%). O público é 75% masculino, majoritariamente Millennial e muito reativo aos resultados dos jogos.

Cristiano Ronaldo gerou 54% do TAV total com menos de 1% do conteúdo (59 posts). Seu público é 31% feminino (o mais alto do estudo), concentrado no Irã (20,8%) e na Índia (16,5%), com brand affinity de luxo (Gucci, Louis Vuitton, Jordan). Portugal fica em 3,4%.

A Bola publicou 6.460 posts (79% do volume total) e gerou menos de 0,5% do TAV (US$ 935 mil). O público é doméstico (47% portugueses), mais velho (Gen X em 23,6%) e editorialmente crítico. O sentimento negativo supera o positivo em três dos quatro canais.

A RTP é a única entidade com maioria feminina (62%). O público é mais velho, 71,5% português e voltado para cultura e família. Quando a RTP publicou sobre a Copa do Mundo (12 posts), esses 12 posts responderam por cerca de 63% de todas as curtidas do canal.

Portugal ou Ronaldo

A seleção e Cristiano Ronaldo dividem uma camisa, mas não um público. No Instagram, 29 posts de Ronaldo geraram US$ 97 milhões em TAV (US$ 3,3 milhões por post). Os 565 posts da seleção geraram US$ 77,5 milhões (US$ 137 mil por post). Uma pessoa com 29 publicações produziu mais valor econômico do que uma federação com 565.

A separação demográfica é funda. O público de Ronaldo é 31% feminino, concentrado no Irã e na Índia, com afinidades de lifestyle de luxo. O da seleção é 75% masculino, 13,8% português, movido pelos resultados dos jogos. A distância emocional é igualmente nítida: depois da eliminação de Portugal, o sentimento da seleção despencou para 48,5% positivo (o ponto mais baixo do estudo). O de Ronaldo se manteve em 83%. A afinidade entre os dois é moderada, na melhor das hipóteses. São dois ativos comerciais separados, com um único ponto de contato: a camisa.

O arco emocional: da admiração à irritação

A trajetória emocional do torneio seguiu um padrão de picos decrescentes. Cada recuperação positiva depois de um tropeço ficou mais baixa do que a anterior.

O melhor dia foi 12 de junho: 85% positivo, US$ 10,9 milhões em TAV, Empolgação em 22,9%. Em 18 de junho, um resultado ruim derrubou o sentimento para 54,5% positivo, com Frustração em 17,2%. Veio uma recuperação forte (23 de junho: 78,9% positivo, US$ 23,9 milhões em TAV, o maior valor de um único dia no estudo). Depois, nova queda em 28 de junho (61,1% positivo, Decepção em 12,6%).

7 de julho foi o ponto mais baixo: 55% positivo, Irritação em 37,2% (o recorde do estudo), Empolgação em 0%, Alegria em 0%, TAV de US$ 25 mil. Depois desse dia, o sentimento nunca mais voltou acima de 75%.

A concentração de valor é extrema. Três dias responderam por 30% do TAV total (US$ 58,1 milhões). Cinco dias responderam por 39%. O valor econômico de 47 dias de torneio viveu dentro de um punhado de janelas logo após as vitórias.

O efeito Jorge Jesus

Em 10 de julho, o anúncio de Jorge Jesus como treinador gerou 748.736 menções em 24 horas, o maior volume de menções de um único dia no estudo. Admiração dobrou, de 16,4% para 39,6% (+23,2 pontos percentuais). Irritação caiu pela metade, de 29,9% para 14,2%. O TAV saltou de US$ 40 mil para US$ 8,86 milhões. Para efeito de comparação, o dia anterior (9 de julho) havia registrado US$ 40 mil em TAV e Irritação em 29,9%.

Em 11 de julho, a Irritação já estava de volta a 24,5% e o TAV havia desabado para US$ 724 mil. Um segundo eco apareceu em 14 de julho (38.897 menções no Instagram da seleção) e depois veio o silêncio. O efeito durou menos de 24 horas. O anúncio de um treinador consegue reativar uma conversa. Não consegue sustentar a intensidade emocional que a competição gera. Para comparação, Roberto Martinez acumulou de 25 mil a 49 mil menções espalhadas por vários dias durante o torneio.

Afinidade não é exposição

A Nike já não é a fornecedora do uniforme da seleção (a Puma assumiu em janeiro de 2025) e ainda assim lidera a brand detection nos perfis do público, com 28.623 detecções: 3,5 vezes mais do que a Puma (8.134). O contrato mudou. O público não.

A Hyundai ilustra o padrão oposto. Acumulou 48.173 detecções visuais no Instagram da seleção (fundos, banners, placas de LED), mas apareceu zero vezes nos perfis do público. O patrocinador comprou visibilidade. O público confirmou afinidade em outro lugar. Apple (13.799 detecções), Ray-Ban (2.658) e BMW (3.020) mostraram presença forte nos perfis do público, sem nenhum patrocinador concorrente na lista.

A distinção importa para quem avalia um patrocínio. Exposição conta com que frequência um logo aparece. Afinidade revela se o público já interage com a marca no próprio comportamento. Neste conjunto de dados, as duas raramente coincidiram.

58,6% deste público não tem perfil esportivo

Mais da metade de quem comentou ativamente (58,6%) não se identifica como Ativo/Esportivo: Aventureiro/Explorador 20,1%, Cultural/Criativo 20,1%, Familiar 14,6%, Luxo/Alto padrão 3,8%. A suposição de que um público de futebol é um público de esporte não se sustenta nestes dados.

Por entidade, a fatia não endêmica é ainda maior: RTP em 84,9%, A Bola em 65,7%, Ronaldo em 63,1%, a seleção em 57,2%. Por geração, os Millennials dominam o agregado (53,1%), mas a Gen Z chega a 61,5% no TikTok e a Gen X sobe para 23,6% em A Bola. Geograficamente, 63% do público total está fora do mundo lusófono, com Índia (8,6%), Irã (5,3%), Indonésia (5,2%) e Estados Unidos (5,1%) todos acima de 5%. O público que uma marca de tecnologia ou de moda alcançaria dentro deste ecossistema já está lá. E não está sendo atendido por nenhum dos patrocinadores atuais da lista.

O que a audience intelligence acrescenta a uma Copa do Mundo

A diferença entre volume e valor foi a história central deste estudo. A entidade que mais publicou (A Bola, 6.460 posts) gerou o menor valor econômico. A que menos publicou (Ronaldo, 59 posts) gerou o maior. A plataforma com o maior volume (X) ficou com 5,9% do TAV. O Instagram ficou com 89%.

Nenhuma dessas conclusões aparece num relatório de alcance. A audience intelligence traz essas conclusões à tona ao descrever quem está dentro da multidão, e não o tamanho dela. Para quem decide onde colocar um patrocínio, como precificar um pacote de mídia ou que segmento de público abordar em torno de um torneio, é a composição do público que decide o valor.

O relatório completo está disponível para download gratuito no felton.ai.

AC
André CampinoHead of Marketing na Felton

André é Head of Marketing na Felton e conduz a estratégia de marca e o conteúdo da plataforma de audience intelligence.

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FAQ

Frequently asked questions

A audience intelligence traça o perfil de quem está dentro da conversa, não do tamanho dela. No caso de Portugal na Copa do Mundo de 2026, revelou que 389 mil pessoas comentaram ativamente em quatro entidades e quatro plataformas ao longo de 47 dias, gerando US$ 196,5 milhões em True Audience Value. O público era 76% masculino, 53% Millennial, 63% fora do mundo lusófono e 58,6% não se identificava com um perfil esportivo.

Traçando separadamente o perfil de quem comenta em cada entidade. Neste estudo, o público de Cristiano Ronaldo era 31% feminino, concentrado no Irã e na Índia, com brand affinity de luxo. O da seleção era 75% masculino, mais disperso geograficamente e reativo aos resultados dos jogos. Os dois parecem se sobrepor porque dividem uma camisa. Os dados mostram que a sobreposição é moderada, na melhor das hipóteses.

O TAV é a métrica que atribui valor econômico verificado ao público ativo por trás de um post ou de um canal. Reflete o perfil econômico de quem interage, não o volume de impressões ou de curtidas. Neste estudo, os 29 posts de Cristiano Ronaldo no Instagram geraram US$ 97 milhões em TAV, enquanto os 6.460 posts de A Bola geraram US$ 935 mil. A diferença não está no alcance. Está em quem apareceu.

Consegue. A Emotion AI da Felton detecta qual das 25+ emoções o público expressou em cada dia. Neste estudo, o torneio começou com Admiração em 50,6% e terminou com Irritação em 37,2% no dia da eliminação. A virada da celebração para a frustração foi acompanhada dia a dia ao longo de 47 dias.

Exposição mede com que frequência o logo de uma marca aparece no conteúdo (fundos, banners, uniformes). Brand affinity mede se o público já interage com aquela marca nos próprios perfis. Neste estudo, a Hyundai teve 48.173 detecções visuais no Instagram da seleção e presença zero nos perfis do público. A Nike, que já não é a fornecedora do uniforme, teve 28.623 detecções nos perfis do público. O patrocinador comprou visibilidade. O público confirmou afinidade em outro lugar.

A Felton Audiences analisa sinais públicos no Instagram, no X, no TikTok e no YouTube. Num público de torneio espalhado por várias plataformas, ferramentas de canal único perdem as diferenças comportamentais e demográficas entre cada uma.